domingo, 6 de abril de 2008

Quando não havia mais esperança...

Estes dias me recordei de um momento muito especial em que passei, ha mais ou menos nove meses atrás. Nós acabávamos de nos mudar pra outra cidade, depois de uma fase um pouco atribulada, mas não deixou de ser também uma das experiências que Deus pode trabalhar muito em meu coração. Mas como toda mudança, veio uma avalanche de novas situações, nova rotina, novas preocupações que me deixaram muito vulnerável. Me senti até deprimida, pois me sentia culpada por algumas coisas que fizeram com que esta mudança tivesse que acontecer de uma forma não muito agradável, que envolveram pessoas, e o pior de tudo, pessoas muito queridas.

Em casa, eu e a Giu estávamos vivendo uma rotina diferente, numa cidade diferente, um sistema diferente, pessoas diferentes... Nossos irmãos de fé nos acolheram totalmente, nos auxiliando nos mínimos detalhes o tempo todo, mas mesmo assim, meu coração estava deprimido, solitário, culpado, longe de Deus...

Comecei a sentir no corpo algumas coisas que ajudavam ainda mais a me sentir mal. Muita azia, tonturas e vontade de não fazer nada além de acordar e voltar a dormir. Sentia saudades dos meus pais, de casa... Lamentava de coisas que creio que Deus tenha ficado muito triste comigo. Lamentei ter feito faculdade, lamentei não ter sido mais responsável, lamentei ter casado tão cedo, lamentei, lamentei, lamentei...

E uma destas lamentações foi de porque Deus não queria que eu tivesse mais um bebê. Estávamos planejando ter um bebê ha meses, inclusive tínhamos comprado algumas coisas, como roupinhas, acessórios, brinquedos... E numa destas vezes que me sentia deprimida, eu olhava aquelas coisas e me sentia triste, como se eu não fosse digna de ser mãe novamente e que Deus simplesmente achava que eu não merecia ou não poderia ter mais um bebê. Havia até me conformado disso, e com lágrimas nos olhos, comecei a embrulhar aquelas roupinhas e tal pra dar como presente para a filha do nosso pastor que acabara de nascer.

Então que comecei a orar pra Deus, questionar muitas coisas e então simplesmente parei de me lamentar quando ouvia as Suas respostas. Mas foram respostas de amor, como se estivesse no colo do Pai. Me senti confortada, foi quando pela primeira vez em toda minha vida senti uma intimidade total com o Pai. Mas eu ainda não conhecia meu Pai. E isso me fez ter sede de conhece-Lo cada vez mais. Então comecei a me alimentar da Palavra todos os dias, li livros cristãos que estavam encostados na prateleira ha meses e relia, presquisava, conversava com o Senhor e nunca tive uma comunhão tão próxima do Senhor em todos estes três anos de vida cristã.

Deixei a depressão de lado, tomei algumas atitudes... Pedi perdão ao Pai, pedi perdão a pessoas queridas... fui libertada.

Estava ótima, mas ainda sentia meu corpo cansado, minha ovulação não vinha a meses, acho que não vinha a quatro meses. Perdi as contas de quantos testes de gravidez havia feito. Seria problemas na tiróide? Comecei a sentir enjoos e azia. Foi então que pela ultima vez fiz um teste de gravidez. Comprei o teste mais barato da farmácia, aqueles que vinham com dois pra confirmar com certeza. Deu positivo. O engraçado é que neste mesmo dia, Fabiano comprou um teste de gravidez pra eu fazer, e da mesma marca que eu havia comprado.

E naquela semana, fiquei pensando, questionando... "Deus, oq está acontecendo?". Tive uma hemorragia. Fui ao médico e foi então que apesar da hemorragia, eu estava esperando um bebê. O vi na tela do ultrasom, tão pequenininho, frágil... Não acreditava no que estava vendo...

Os médicos disseram que a hemorragia era causada por um pólipo na parede do utero, mas que não era nada grave, que poderia ser retirado e que não seria nocivo e prejudicial para o bebê.

Mas eu havia ficado "boba" com a notícia, que era tão esperada por mim, e ao mesmo tempo, inesperada porque Deus havia me dado uma tranquilidade e Paz interior tão grande que aquilo tudo virou uma surpresa.

Hoje estou na trigésima sexta semana de gravidez do nosso menino que cresce firme e forte em nome de Jesus.

Depois que tudo isso passou, sei que Deus estava apenas esperando o melhor momento de me abençoar com esta gravidez. Pois se estivesse acontecido antes, muita coisa seria diferente, muita coisa seria difícil, muitas coisas tomariam rumos até de me afastar do Senhor.

Meu Pai estava simplesmente me protegendo para não me afastar Dele. Deus estava me chamando, e seu chamado tem sido cada vez mais forte.

Ainda não sei dizer o que Deus realmente deseja de mim, no sentido de, um dia, servir num ministério de forma integral ou algo que exija uma dedicação menor que um pastor ou obreiro. Fabiano já tem esta decisão, ele já sentiu o chamado de Deus para o ministério. Mas eu, sinto que ainda tenho tanto o que vivenciar. A minha vida hoje tem sido uma provação. E creio que Deus esteja preparando o momento certo de dar a mesma confirmação que Fabiano teve de Deus. Pode ser que sim, pode ser que não, que não seja isso que Deus queira pra mim. Mas ultimamente tenho orado de uma forma menos "pedinte". Tenho mais louvado, mais agradecendo do que "pedindo"... Deus sabe o que eu quero, o que eu desejo, do que sou capaz, do que preciso. Por isso, tenho dado primeiramente graças a tudo o que temos sido abençoado e o que ainda ha de reservado pra nós, seja em situações que exijam mais de do que achamos ser capazes de passar, seja em bençãos de "abrir as portas" de oportunidades de vida terrena.

Mas acima de tudo, tenho curtido muito a vida que Deus tem dado pra mim e pra minha família, a gravidez que está quase no final e que ainda não sei se voltarei a sentir todo este prazer novamente de ser gestante.

Estou muito feliz...

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